Num primeiro olhar sobre
as obras expostas, evidenciam-se varias secções; Tinta da china sobre papel;
gravura; óleo sobre tela. Todas elas com formatos e molduras diferentes. No
percorrer do espaço, sente-se uma melancolia nas obras como uma estranha
sensação de de um sonho rematado por traços finos que constroem espaços arquitetónicos
que transfiguram as naturezas mortas sugerindo uma narração difícil de
desvendar. Só mais tarde numa conversa com Raul Perez é que se confirma a
misticidade das obras quando o próprio principia a discussão sobre as obras com
a pergunta: “que tipo de pintura acabaram de ver?”
A conversa que se seguiu
foi a resposta à questão anteriormente feita. O artista revela que as suas
obras são instrumentos do seu inconsciente, pois, são manipulações de tinta que
se traçam segundo um preenchimento mecânico. Isto é, o artista está fora de si,
quando pinta, é um ato puramente irracional. “A razão engendra monstros” cita
Goya aprofundando a sua postura inconsciente perante as obras. Tudo o que pinta
são sonhos que não são sonhados. Revela talvez uma obsessão em materializar o
que não controla, intitula-se como o “caçador dos seus próprios sonhos”. Remata
assim, a importância do dualismo pessoal (o que temos exteriormente e
interiormente).
O artista termina
sugerindo o abandono da razão perante a pintura, para que, a criação artística seja
imune a todas as definições que nos são provocadas pelo tempo. Como um
verdadeiro sonho não sonhado que é sempre livre.
Sem comentários:
Enviar um comentário