No dia 8 de Março José
Delgado Martins conta-nos a história de uma vida que presenciou o encadeamento da
pintura e de muitas personalidades intelectuais do século XX em Portugal.
Formou-se em Direito,
profissão que exerce desde então. Contudo o seu contacto com a arte começa aos
quatro anos, em 1940 quando visita a exposição Do Mundo Português, de António Ferro sob a ordem de Salazar. As
peças expostas e todo o espetáculo que as
rodeavam “provocaram um sentimento apaziguador sem preço”, chega à conclusão mais tarde, que a sua
vida teria que ser compatível com a arte.
Foi nos anos 50 que
começou a cultivar relações com os grandes intelectuais da altura que provinham
dos núcleos das Letras, da Medicina e de Belas Artes e que reuniam na
Brasileira no Chiado. Nomes como Álvaro Lapa, Jorge Barradas, Carlos Botelho abriam
a porta aos jovens da altura.
Nos anos 60, o panorama
da pintura é alterado. Por razões políticas, começa a surgir um ciclo migratório.
Grupos de artistas foram-se criando inclusive no Porto, onde presenciavam nomes
como Ângelo de Souza; Jorge Pinheiro; José Rodrigues; Armando Alves etc...
estes nomes acabaram por justificar a diáspora desta década: as primeiras
galerias em Portugal. É então aqui que compra a sua primeira obra a João Hogan
(paga a prestações).
Os anos seguintes são
marcados pela tensão do 25 de Abril, em que ninguém trabalhava para os
capitalistas “tinha que se ser de esquerda” explica.
Os anos 80 são rematados
não só pelo regresso dos exilados que trouxeram novas ideias e outras
experiências, como também, por uma nova geração que cresceu livre provocando
uma euforia no mercado da arte portuguesa.
A grande crise chega em
2000, crise que só hoje está em recuperação segundo José Delgado Martins. Como
consequência desta crise começa a existir um novo discurso nos artistas, por
terem que eventualmente vender o seu trabalho numa crise tão vincada, as obras
são justificadas e pensadas, começa a existir justificações intelectuais o que
na altura, era inquestionável.
José Delgado Martins
termina depois de falar sobre alguns processos de falsificação com a sugestão
que consigamos sempre promover o nosso trabalho.
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