sábado, 18 de junho de 2016

DOUTOR JOSÉ DELGADO MARTINS

No dia 8 de Março José Delgado Martins conta-nos a história de uma vida que presenciou o encadeamento da pintura e de muitas personalidades intelectuais do século XX em Portugal.
Formou-se em Direito, profissão que exerce desde então. Contudo o seu contacto com a arte começa aos quatro anos, em 1940 quando visita a exposição Do Mundo Português, de António Ferro sob a ordem de Salazar. As peças expostas e todo o espetáculo que as  rodeavam “provocaram um sentimento apaziguador sem preço”, chega à conclusão mais tarde, que a sua vida teria que ser compatível com a arte.
Foi nos anos 50 que começou a cultivar relações com os grandes intelectuais da altura que provinham dos núcleos das Letras, da Medicina e de Belas Artes e que reuniam na Brasileira no Chiado. Nomes como Álvaro Lapa, Jorge Barradas, Carlos Botelho abriam a porta aos jovens da altura.
Nos anos 60, o panorama da pintura é alterado. Por razões políticas, começa a surgir um ciclo migratório. Grupos de artistas foram-se criando inclusive no Porto, onde presenciavam nomes como Ângelo de Souza; Jorge Pinheiro; José Rodrigues; Armando Alves etc... estes nomes acabaram por justificar a diáspora desta década: as primeiras galerias em Portugal. É então aqui que compra a sua primeira obra a João Hogan (paga a prestações).
Os anos seguintes são marcados pela tensão do 25 de Abril, em que ninguém trabalhava para os capitalistas “tinha que se ser de esquerda” explica.
Os anos 80 são rematados não só pelo regresso dos exilados que trouxeram novas ideias e outras experiências, como também, por uma nova geração que cresceu livre provocando uma euforia no mercado da arte portuguesa.
A grande crise chega em 2000, crise que só hoje está em recuperação segundo José Delgado Martins. Como consequência desta crise começa a existir um novo discurso nos artistas, por terem que eventualmente vender o seu trabalho numa crise tão vincada, as obras são justificadas e pensadas, começa a existir justificações intelectuais o que na altura, era inquestionável.
José Delgado Martins termina depois de falar sobre alguns processos de falsificação com a sugestão que consigamos sempre promover o nosso trabalho.


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